Silvia Cristina de Oliveira, a escritora PDF Imprimir E-mail
Qui, 13 de Agosto de 2009 20:55

Foto de Silvia sorrindo sentada a mesa de um restauranteA habilidade e a sensibilidade que ela tem com as palavras a tornou uma escritora. E foi assim que a Silvia conheceu a Mara: falando de seus livros.  Mistura de Palavras e o Meu Lema são as duas obras da nossa personagem da semana. Para homenagear esta escritora, o Portal Mara Gabrilli resolveu dar espaço para que ela falasse sobre seu trabalho, as dificuldades e, claro, arte.

Ela é paraplégica desde que nasceu, em 1965. E de lá até aqui soube se virar muito bem. Foi casada durante 17 anos, trabalhou, inclusive nas ruas vendendo balas, amou e lutou pelos seus direitos. Hoje, com 43 anos, estuda Administração de Empresas e é ourives. Mas o que torna Silvia uma pessoa ainda mais especial é o talento, que nem mesmo ela, sabia que possuía.

Portal Mara Gabrilli: Como e quando começou a vender balas nas ruas?
Silvia Cristina de Oliveira: Na época não arrumava empregos, e os que arrumava pagavam muito pouco. Então decidi trabalhar nas ruas. Fiz isso durante 13 anos. E paralelo a este trabalho fazia jóias para os meus clientes.  Além dos livros, que eu já escrevia.

PMG: Qual as maiores dificuldades que encontrou?
Silvia: Nessa época era tudo: transporte, guias, preconceito, que aliás, ainda existe.

PMG: Você acha que o fato de ser cadeirante lhe garantia maior atenção  dos motoristas que passavam por você?
Silvia: Sim. Mas, a minha forma de abordar também contou muito. Nunca fiquei “suja". Me portava com educação e fazia disso um trabalho normal, com horário para chegar e sair.

PMG: Se pudesse implantar  um projeto para as pessoas com deficiencia na cidade de São Paulo, qual seria?
Silvia: È difícil dizer, mas acredito que seria algo mais que um projeto. Uma forma de encarar a vida. Conheço várias pessoas com deficiência.  O que sinto é que muitas buscam mostrar o lado “piegas”.  Precisamos nos colocar como pessoas limitadas, e não "coitadas”.  Temos direitos e deveres. Agora que estou em busca de novo trabalho, tenho percebido que muitas empresas estão contratando pelas cotas e pagando muito pouco. O deficiente que está procurando emprego vai encontrar, em sua maioria, um salário mínimo. Ele não vai se abalar para ficar 8 horas, com responsabilidades. O respeito ainda é escasso. Por isso, meu projeto seria baseado em palestras para os próprios deficientes, para que se coloquem como limitados, e não coitados.

PMG:  E quando começou a escrever poesias?
Silvia: Com 17 anos. Foi um ex-namorado que descobriu em mim uma romântica. E ele conseguiu que eu enxergasse este talento. Eram cartas de amor que escrevia para ele e que acabaram virando poemas. Algumas [cartas] tiveram que ser adaptadas, pois eram muito pessoais.  Acabei tomando gosto pela coisa. Quando me dei conta já tinha escrito dois livros.

PMG: E de onde veio tanta  inspiração para escrever?
Silvia: De tudo que me chamava a atenção:  amor, desamor, coisas do cotidiano. E sempre com uma pitada de bom astral, pois tudo na vida tem algo de bom para tirar uma lição.

PMG: Do que falam suas poesias? Aliás, o que é ser escritora para você?
Silvia: A maioria fala de amor e, principalmente, amor pela vida. Escrever é  passar algo de bom para alguém. É muita responsabilidade, pois você pode mudar a vida de alguém com isso.  Manipular idéias. Acho perigoso. Se não tem  realmente algo a dizer, é melhor que fique quieto.

PMG: Já conseguiu ganhar dinheiro com a arte?
Silvia: Muito pouco. Meu primeiro livro vendeu 5 mil cópias e o segundo 1500. Agora estou com 1800 livros encalhados. Como saÍ das ruas,  a venda diminuiu. Nesse país os escritores não têm vez. Sem ter uma assessoria que trabalhe para você, é quase impossível ganhar dinheiro. Sem divulgação fica difícil. Ainda mais se tratando de poemas.

PMG: Tem algum poeta predileto?
Silvia: Vinícius de Morais é meu preferido, mas adoro Drumonnd também....

PMG: Com tantas idéias em mente, qual recado você deixaria para os leitores do nosso portal?
Silvia: Não somos coitados. Somos pessoas com algumas limitações e elas são visíveis. Temos direitos e deveres, e o principal é o de viver. 






 

 

 
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