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Vitor Savoy tem só 18 anos, mas engana todo mundo quando abre a boca. Nascido em São Paulo, o garoto demonstra uma sabedoria incomum para a sua idade. Por erro de condução no seu parto, Vítor tem uma sequela de paralisia cerebral. Desde seu nascimento, por conta das inúmeras sessões de fisioterapia e cirurgias, ele acostumou-se com o ambiente hospitalar. Bem humorado, ele nos contou que já chegou a ficar internado durante um ano inteiro. Na época, Vítor tinha 14 anos e decidiu fazer da longa estada no hospital uma história para o 'Meus Amigos', livro que ele escreveu enquanto estava internado. Nós coversamos com o Vítor para saber mais sobre esta história. Confira.
Portal Mara Gabrilli - Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre a sua estada no hospital? Vítor Savoy - Meu pai, que trabalha em uma editora, certo dia chegou em casa reclamando que tinha vetado três projetos de livros infanto juvenis sobre inclusão por serem muito tristes, piegas. Foi nesse momento que tive a ideia de eu mesmo escrever um livro sobre minha experiência recente no hospital. PMG- O seu livro aborda que tipo de situação? Vítor - Passei um ano hospitalizado por causa de extensa cirurgia ortopédica. E o meu livro fala sobre as amizades que fiz no hospital e a vivência que tive nesse ambiente. PMG- Como é ficar um ano inteiro internado? Vítor - É uma situação que, naturalmente, apresenta muitas dificuldades, mas, apesar disso, pode ser uma vivência muito rica. Durante esse período, fiz muitas amizades: do técnico de raios X, passando pelo cozinheiro e jardineiro, até a diretora do hospital. PMG- Durante este período no hospital aconteceu algo curioso? Vítor - Um dos episódios mais curiosos, e que está no livro com mais detalhes, envolveu dois grandes amigos: um frei franciscano e o médico ortopedista. O frei disse que gostaria de me tirar da UTI e o médico, que rezava muito por mim. Apontei a eles que estavam, naquele momento, atuando em posições trocadas, e que seria melhor que cada um cuidasse de sua parte. Todos rimos muito disso. PMG- O que um jovem de 18 anos melhoraria com relação ao acesso para as pessoas com deficiênncia? Vítor - Creio que, apesar de ter se iniciado uma conscientização mais geral, há muito a ser feito, mas eu destacaria a preservação das calçadas da cidade, que representam obstáculos imensos para as pessoas com deficiência. PMG- É dificil manter o bom humor quando se está em um ambiente hospitalar? Vítor - O bom humor depende mais de como cada pessoa encara a experiência: É preciso ter alto-astral e pensamento positivo. E ajuda muito a capacidade dos profissionais de também alimentar esse alto-astral com bom humor. PMG- Você só tem 18 anos e já viveu bastante coisa. Quais são seus planos daqui para frente? Vítor - Eu me empenho bastante em minhas atividades de reabilitação e pretendo continuar a desenvolver trabalhos voluntários. Alám disso, assim que tiver boas histórias suficientes, penso em escrever outro livro. PMG- Um jovem com deficiência encontra bons lugares para se divertir? Vítor - É possível encontrar, sim, bons lugares para diversão, em especial em uma cidade com tantas opções como São Paulo. |