Luisinho Reis, o cantor político PDF Imprimir E-mail
Sex, 11 de Junho de 2010 20:37

 Na foto, Luisinho vestido de beca em uma formaturaLuisinho Reis nasceu em agosto de 1960. Devido a uma deformação nos ossos, ele teve um problema na coluna que comprometeu seus movimentos. Cadeirante, Luisinho militou na política durante algum tempo. Foi um dos primeiros vereadores com deficiência do Estado de São Paulo, eleito em 1988 pelo município de Poá. Paralelamente a política, Luisinho trabalha com música. Atualmente, ele compõe canções de todos os estilos e faz shows por todo o Brasil. Segundo ele,  apesar dos entraves e obstáculos enfrentados por toda pessoa com deficiência, "é um prazer saber que é tido por muitos da comunidade onde vive como  um exemplo de vida e superação".

Portal Mara Gabrilli - O que o fez entrar para a política? 
Luisinho Reis-  A falta de representatividade dos deficientes físicos dentro do  cenário fez com que me interessasse pela política. Na época eu era estudante de segundo grau em escola pública, tive que  procurar várias na cidade até encontrar a que possibilitasse acesso a cadeirante.

PMG- Como foi esta trejetória?
Luisinho -  Participei massiçamente das "Diretas Já" em 1985 representando os deficientes na câmara de Poá como vereador. Priorizei a área social e sem dúvida procurando  ajudar os deficientes da melhor maneira possível.

PMG: Como conciliar a carreira artística com a política?
Luisinho - A carreira artística e a política são trabalhos que necessitam de uma boa equipe. Em minha trajetória sofri muitos preconceitos, primeiro por ser deficiente, depois por ser político, pois muitas pessoas não nos veem com bons olhos, não acreditam em boas intenções. Como cantor, tenho boa aceitação pelo povo, porém os adversários políticos sempre que podem me cortam de eventos por medo de futuras eleições...Resumindo, é muito difícil porque são duas áreas que gosto muito.

PMG: Como é vida de artista cadeirante? Como fica a questão do acesso aos palcos, por exemplo?
Luisinho - Em relação a ser cantor cadeirante....o próprio meio vende uma imagem de que tem que ser bonito, ter o corpo perfeito, saradão. O artista tem que ter carisma e talento para permanecer, quando sou chamado num palco, dependo de alguém para me carregar e me ajeitar, microfone da altura que me permite falar, ou sem fio seria o ideal, a maioria das casas noturnas possuem escadas, ninguém espera que um deficiente participe da vida social, seja em que área for.

PMG: E agora, qual Luisinho reina mais sobre você: o cantor ou o político?
Luisinho - No momento estou concentrado na parte artística, pretendo trabalhar em uma  nova música de minha autoria "nosso sonho" se conseguir patrocínio, não tenho pretensões políticas, não estou filiado a nenhum partido há dez anos, não descarto a idéia de voltar, o futuro a Deus pertence.

PMG: O que você faria se fosse um político de grande influência no país?
Luisinho - Em primeiro lugar, eu ia aumentar o orçamento da Polícia Federal e priorizar as investigações sobre desvios de verba na máquina estatal e sonegação de impostos. Eu ia fazer muito mais malhas finas do que temos hoje. Iria também apostar toda minha influência política para mudar algumas leis.
O que tenho em mente seria fazer com que os ocupantes de cargos do governo não possam renunciar ou serem dispensados enquanto correm processos que digam respeito a ele. O próximo passo seria diminuir a verba dedicada a ONGs e investir no ensino público priorizando o ensino fundamental.Quando as questões da corrupção e da redução de gastos estiverem encaminhadas, eu ia investir pesado no sistema penitenciário.Tenho noção de que um governo desses seria impopular e fortemente atacado pelas classes mais altas, mas do jeito que eu vejo as coisas, é disso que precisamos.

PMG: Como você encara as políticas públicas voltadas para as pessoas com deficiência no nosso país?
Luisinho:  Hoje o Brasil não se tem políticas públicas que promovam o “verdadeiro’ processo de inclusão social dos cerca de 25 milhões de pessoas com deficiência. Em 2004, o Brasil foi eleito pela organização não governamental internacional IDRM – International Disability Rights Monitor - como um dos cinco países mais inclusivos das Américas. Porém ainda esbarramos em muitos obstáculos, eu colocaria que deveria existir uma secretaria a nível Federal para tratar especificamente as pessoas com deficiência. A medida que se tem acesso à educação e, posteriormente, ingressem no mercado de trabalho, as pessoas com deficiência estarão efetivamente incluídas na sociedade, participando como cidadãs, como consumidoras, como pessoas produtivas, como chefes de família - enfim, viverão uma vida plena, tendo respeitadas as limitações eventualmente colocadas por sua condição.