Deputada Federal Mara Gabrilli 4517

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Fernando Gil, o empreendedor social

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 Na foto, Fernando Gil sorrindo em um parque ecológico. Ele está com uma camiseta vermelha e óculos de armação finaO paulistano Fernando de Oliveira Gil (27) é Engenheiro de Computação. Ele usou sua formação para criar um aparelho que pode ajudar muitas pessoas com deficiência visual. Nosso personagem da semana, junto com sua namorada e parceira no projeto, elaborou um aparelho que identifica cores e notas de dinheiro. 

Tanto Fernando quanto Nathalia, sua namorada, estudam na Universidade de São Paulo, onde participam do projeto Poli Cidadã, que incentiva os alunos a trabalharem com base em temas enviados por instituições e comunidades. O Identificador de Cores foi uma proposta da Fundação Dorina Nowill. Conversamos com o Fernando para saber mais sobre essa história. Confira.

Portal Mara Gabrilli -  Como surgiu a ideia do identificador de cores e dinheiro?
Fernando Gil - A ideia surgiu quando a Nathalia, minha namorada e parceira no projeto, estava no segundo ano da faculdade de engenharia. Na USP nos temos um programa, chamado Poli Cidadã, que incentiva os alunos a fazerem seus projetos com base em temas enviados por instituicoes e comunidades. Então, a Nathalia escolheu o tema do Identificador de Cores, proposto pela Fundação Dorina Nowill. Isso tudo foi em 2006. Desde então, nós dois continuamos trabalhando em outras atividades do Poli Cidadã. Tudo isso aumentou nossa vontade de trabalhar na área social.  No ano passado eu estava procurando formas de entrar profissionalmente na área de tecnologias com fins sociais, e me deparei com um programa chamado Unreasonable Institute, este programa consiste em incubar 25 empreendedores socias e dar os recursos e exposição necessárias para que as ideias saiam do papel. Vi nesse programa a oportunidade de atuar na area social. Entao, nos decidimos inscrever o identificador de cores e dinheiro no Unreasonable Institute, pois este era um projeto que nos ja haviamos iniciado. Como resultado, conseguimos entrar no programa, e aqui estou eu, nos EUA fazendo o curso.
 
PMG -  E como funciona o aparelho?
Fernando - O aparelho funciona de forma bem simples. Ele possui um LED, que ilumina o objeto, e três sensores (um para cada componente da luz: vermelho, verde e azul). Esses sensores captam a intensidade de cada componente de luz refletida do objeto e um software faz a combinação para determinar qual é o nome da cor correspondente a esta combinação. Para identificar dinheiro, o processo é o mesmo, apenas fazendo a correspondência entre a cor detectada e a nota que a contem.

PMG-  Foi simples barateá-lo?
Fernando -  Baratear o aparelho ainda esta sendo um processo. Nos construimos o protótipo usando componentes disponíveis no mercado, isso  propiciou construí-lo com um custo bem menor do que os aparelhos importados. Porém, imaginamos que ao iniciar a produção em larga escala, os custos serão menores.
 
PMG-  Você já havia tido contato com alguém com deficiência visual?
Fernando - Muito pouco. Apenas havia tido contato durante os eventos do Poli Cidadã na faculdade, onde algumas pessoas com deficiência visual visitaram para conhecer as tecnologias. Porém, após iniciarmos o projeto, começamos a ter muito contato com pessoas com deficiência visual, o que está sendo muito importante para aperfeiçoar o aparelho.

PMG-  Em que mais a ciência pode contribuir para o universo das pessoas com deficiência?
Fernando -A ciência tem muito o que contribuir com este universo. Por exemplo, minha área é a engenharia de computação, mas eh possivel identificar formas de auxiliar as pessoas com deficiência em todos os ramos da engenharia. Acho que as pessoas que trabalham com ciência, em especial os engenheiros, deveriam conhecer e prestar mais atenção a este universo das pessoas com deficiência. Temos muito o que aprender juntos. Inclusive se o objetivo do estudante nao for trabalhar especificamente com tecnologias para pessoas com deficiência, ele tem muito o que aprender para fazer um bom design e chegar mais facilmente a um design universal.
 
PMG-  O que é ser um empreendedor social?
Fernando -Ser um empreendedor social é ser uma pessoa capaz de identificar necessidades, ter ideias para solucioná-la e ter o conhecimento e vontade necessárias para colocá-la em prática de uma forma que cause um impacto positivo na sociedade.
 
PMG-  É preciso ter dinheiro para ser um empreendedor social?
Fernando -Não. Existem muitos exemplos de empreendedores sociais que surgiram de realidades muito difíceis e comunidades muito carentes. O que é preciso é incentivo e ferramentas para que todas as pessoas percebam que elas podem ajudar a transformar na sua realiadade, e por que nao, o mundo. Por isso acho importante que o tema empreendedorismo social seja amplamente divulgado nas escolas e universidades.

PMG- E como nosso país está em termos de pesquisas na área de tecnologias assistivas?
Fernando -O Brasil tem evoluido bastante. Aqui temos uma realidade muito propícia, pois temos muitas necessidades não atendidas e pessoas com bastante conhecimento e competência para atendê-las. O que falta é cada um ter a consciência de que pode atuar profissionalmente causando um impacto benéfico na sociedade, e não apenas ganhando o máximo de dinheiro que puder.
 
PMG- Você tem outros projetos em mente deste cunho?
Fernando -Tenho. Assim que o identificador de cores e dinheiro estiver bem estabelecido, pretendo criar outras tecnologias para pessoas com deficiência visual. Depois, espero poder atender tambem outros tipos de deficiências com tecnologias de baixo custo. Também estou pensando em uma forma de fazer com que mais universitários atuem na área social, de forma que possamos ter mais empreendedores sociais no Brasil.
 
Acesse: http://www.unreasonableinstitute.org/
            http://www.policidada.poli.usp.br/

 

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