Deputada Federal Mara Gabrilli 4517

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte

Lucia Sodré e Sergio Viegas, instrutores de mergulho adaptado

E-mail Imprimir PDF

Na foto, Lucia em um deck preparada para mergulhar Lucia Sodré nasceu em 1964, no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência: 3 de dezembro. Não é por acaso que  ela decidiu ser professora de Educação Física para trabalhar junto a  alunos com deficiência na área do esporte e lazer. Depois de uma fase se dedicando ao esporte paraolímpico, inclusive na seleção brasileira, quando participou do Parapan em 1990, na Venezuela, Lucia  decidiu trabalhar com mergulho adaptado, atividade que em 1991 começou a ser implantada aqui no Brasil. Atualmente, Lucia é a única instrutora no país que forma instrutores em mergulho adaptado.Foto de Sergio sentado em um sofá branco, vestindo uma camisa polo azul marinho


Nascido em Campinas em 1956, Sergio Viegas foi aluno da Lucia Sodré. O engenheiro eletricista começou a mergulhar como passatempo em 1981 e a fazer fotografia sub-aquática em 1986. Dois anos depois, Sergio se tornou Divemaster pela Professional Association of Diving Instructor.

  • Para saber mais sobre este assunto, mergulhe na entrevista que o Portal Mara Gabrilli fez com a dupla.

Portal Mara Gabrilli -Qualquer pessoa com deficiência pode fazer mergulho adaptado?
- Lucia Sodré: A deficiência não é impedimento para o mergulho, pois, deficiência não é doença. Existem algumas condições que podem estar associadas a deficiência que podem restringir ou mesmo impedir, como a convulsão pós TCE (traumatismo crânio-encefálico), entretanto, a deficiência como condição, não impede a prática do mergulho adaptado a individualidade do mergulhador com deficiência.
- Sergio Viegas: Qualquer pessoa em boas condicões de saúde para o mergulho pode participar dos cursos, tenha ela uma deficiência ou não. Alguns problemas de saúde contra indicam a prática do mergulho temporariamente ou permanentemente. Para segurança do aluno sempre é recomendado um bom exame clinico com médico familiarizado com a medicina do mergulho. Para o mergulho adaptado, é necessário também a apresentação de um laudo médico descrevendo o quadro clínico. 
 

PMG: Quantos alunos você tem? Qual o perfil destas turmas?
- Lucia: Cada turma, cada trabalho tem um quantitativo de alunos. Alguns trabalhos são individuais, outros, em pequenos grupos ou mesmo grupos maiores. Tudo depende, por exemplo (dentre diferentes fatores) da condição de deficiência do aluno, da sua experiência aquática, do quantitativo de instrutores, assistentes, entre outras coisas. Tenho alunos com deficiência física, visual, auditiva, intelectual e múltipla. 
- Sergio: Pouco mais de 1000 alunos formados em 39 cursos diferentes, entre mergulho e socorrismo.
 
 
PMG: Você tem alunos cegos? Como funcionam estas aulas?
- Lucia: Sim, pois, a cegueira não impede que a pessoa cega possa explorar, conhecer e se encantar com o mundo submerso, com a vida marinha com intensidade de prazer e alegria diante da magnitude desse universo. O mergulhador cego pode ver o fundo de forma personalizada e, dessa forma, também participar dessa rica opção de lazer. Não existe nada de extraordinário na prática do mergulho para pessoas cegas. Tudo é adaptação, desde a comunicação, a forma de aprender até a forma de ser e ver da pessoa cega. É natural assim como para a pessoa vidente: cada um da sua forma, cada um no seu tempo, cada um com a sua maneira de ser.
- Sergio: Minha avó paterna teve glaucoma, perdendo a visão aos 22 anos. Meu pai era o sétimo filho de uma familia de oito irmãos e ele nasceu em 1913. Embora nao tenha conhecido minha avó, durante toda a minha vida ouvi sobre suas histórias de administrar uma casa com oito crianças sem enxergar.  Esse fato sem dúvida colaborou para que eu não associasse uma deficiência a uma incapacidade. A visão que tinha de minha avó, transmitida pela minha família, era justamente de uma pessoa extremamente capaz e exigente. Por coincidência, logo após a minha formacão como Instrutor HSA pela Lucia, surgiu a oportunidade de participar de um estudo de doutorado da prof. Mey van Munster, orientanda do Prof. Gaviao da Faculdade de Educacao Fisica da UNICAMP que tinha como tema a pratica de atividades de aventura para um grupo de oito pessoas com deficiência visual. Foi uma experiência extremamente enriquecedora. Lembro-me, em especial, de um dos alunos que havia perdido a visão há cerca de dois anos num acidente de carro. Ele queria muito mergulhar, mas tinha um histórico de quase afogamento na infância que causava um medo enorme. Ele precisou de muito tempo para se sentir seguro para por apenas o rosto na água, depois passo a passo, respeitando seu tempo interno, foi evoluindo cada vez mais. Quando terminamos o mergulho no mar, em Paraty RJ, ele chorava de alegria por ter deixado de ter medo da água. Obviamente, estava muito feliz pelo fato de não ter desistido e aceito a ajuda oferecida.
 

PMG:  E há uma diferença para  instruir pessoas com e sem deficiência?
- Lucia:  Sim, metodologias e adaptações específicas para cada aluno. Procedimentos específicos para cada aluno e, com cada um, um mundo a se conhecer sobre suas particularidades. O trabalho é sempre dinâmico, rico, colorido...
- Sergio: Existem diferenças entre pessoas e isso que torna ensinar o mergulho uma experiência que me apaixonou e me fez deixar a engenharia eletrônica. No mergulho adaptado podem existir pessoas que vão necessitar de maior atencção. Uma pessoa que tenha paralisia de membros inferiores, por exemplo, pode mergulhar em dupla com um mergulhador convencional. Na água, ambos tem a mesma capacidade de se ajudar mutuamente, se necessário. Um cego pode não perceber que seu companheiro de mergulho necessita de ajuda e por essa razão ele deve mergulhar acompanhado de dois outros mergulhadores convencionais. Um tetra precisa do mais alto grau de supervisão e ser conduzido por dois mergulhadores treinados para conduzir mergulhadores com deficiência, chamado de Dupla de Mergulho Adaptado. Durante o treinamento, o instrutor avalia os exercicios que o aluno é capaz de fazer independentemente ou com ajuda. Dependendo da sua capacidade ele pode ser certificado ou nao. Se certificado, o documento mostrará qual o grau de supervisao necessário.


PMG: E para você, o que é deficiência?
- Lucia: É uma restrição sensorial, física ou intelectual, mas, que não impede, necessariamente, o desenvolvimento global da pessoa que a tem. Naturalmente, considerando, sempre que necessário, todos os recursos humanos e tecnológicos necessários para tal. Paralisia, cegueira, surdocegueira, surdez entre p são limitações inerentes a condição da deficiência para ações específicas: sensoriais, motoras, auditivas, mas, de forma alguma devem ser impedimentos para as ações plenas na vida de acordo com a individualidade de cada pessoa. 
- Sergio: Pergunta dificil, nao? Todos temos limites pessoais. Acho que passamos nossas vidas tentando superar esses limites ou nos adaptando a viver com eles. Atualmente, estou com limitacões fisicas em decorrência de hernias na cervical que me impedem de carregar pesos. Estou trabalhando para me adaptar a essa limitação que pode ser permanente ou se agravar. Certamente, precisarei de mais ajuda que antes mas, vou ter que continuar a trabalhar para poder viver.
 

PMG: O que você diria para pesosas que querem fazer mergulho e acham que não estão aptas para isso?
- Lucia: A deficiência não impede a prática do mergulho. Realize o seu desejo, o seu sonho e mergulhe fundo nessa fascinante opção de lazer. Entretanto, escolha um profissional, de fato, capacitado em mergulho adaptado. Infelizmente, no nosso país não temos fiscalização e vemos de tudo nesse campo: falsos instrutores, oportunismo, sensacionalismo... Então, informação sobre o currículo desse profissional, de sua formação é essencial para a segurança e prazer nessa maravilhosa atividade. Caso contrário, os riscos são enormes, existirão dificuldades técnicas de aprendizagem desnecessárias e o prazer não será pleno: independência técnica, mesmo que compartilhada, auto-segurança, segurança, bem estar e tudo relacionado a uma prática com formação e certificação efetiva. 
- Sergio: Eu costumo dizer que devem encarar seu medo como um aliado e respeitar seu tempo interno. Quem gosta de ensinar mergulho sente prazer em compartilhar o prazer de mergulhar com os outros e também tiveram medo um dia. Eu me preocupo mais com quem não demonstra nenhum receio. Em geral, negligenciam com a segurança e se expõem desnecessariamente a riscos. Vejo o mergulho como uma forma excelente para perder o medo da água e isso acaba sendo um fator motivador para perder outros medos.
 
 Para saber mais, acesse: Handicapped Scuba Association 


 

 

 

 

 

Redes Sociais

Face Book Orkut You Tube Flickr TwitterFeed

Meus vídeos

Você Também pode enviar seu vídeo falando sobre a Mara. Clique aqui e saiba como.

Sou pela acessibilidade