|
Thais Frota, a arquiteta da acessibilidade |
|
|
|
|
Qua, 27 de Janeiro de 2010 21:05 |
"Se o lugar não está pronto para receber todas as pessoas, o lugar é deficiente". Este é o lema de Thais Frota, arquiteta especializada em acessibilidade desde 2005, depois que apresentou um trabalho de conclusão de curso sobre um “Parque Sensorial”, indicado ao prêmio Ópera-prima pela FAU/Unisantos.
Desde que iniciou seu trabalho, Thais já realizou cerca de quatro mil vistorias técnicas e laudos, sempre ligados ao assunto. Como a própria arquiteta costuma dizer: “Todos os dias da minha vida profissional foram dedicados à questão da acessibilidade”. Sua grande meta é popularizar o assunto e contribui para uma maior conscientização das pessoas em relação à questão da acessibilidade. Confira a conversa que tivemos com ela.
Nascida em agosto de 1981, na cidade de Santos, no litoral paulista, Thais foi aconselhada por um professor do curso de arquitetura. Paulo Von Poser, amigo de Mara Gabrilli, incentivou Thais a divulgar seu trabalho. "Enviei meu projeto para a Mara Gabrilli, que até então era secretária da pesso com deficiência. Ela enviou meu trabalho para o Renato Baena. Ele logo me encaminhou para uma empresa que prestava consultoria de acessibilidade para a Prefeitura de São Paulo. Conheci o trabalho da Mara assim e não demorou para me tornar fã dela", conta.
Portal Mara Gabrilli: Quando surgiu o interesse por projetos acessíveis? Thais Frota: Na éppoca em que era estudante de arquitetura, uma aluna ficou cadeirante.Com isso, presenciei os desafios que ela tinha de enfrentar para dar continuidade as suas ativiadades diárias. Percebi como era difícil a questão do acesso para uma pessoa com deficiência. Foi então que resoli que meu TCC seria sobre isso.
PMG: E a ideia do "Parque Sensorial", como surgiu? Thais: Quando comecei a pesquisar o assunto me daparei com uma total falta de informação sobre acessibilidade. Não havia nada falando, por exemplo, sobre lazer e deficiência. A ideia passada era de que uma pessoa com deficiência só pudesse freqiuentar escolas e hospitais. Fiquei pensando nisto e resolvi elaborar um espaço de lazer. Resolvi fazer um parque para cegos.
PMG: Tratando-se de um assunto tão pouco divulgado na época, como você conseguiu elaborar seu projeto? Thais: Para fazer o parque me inspirei na história do Mágico de Oz. Fiz um caminho de tijolos amarelos, que serveria para guia o cego para determinado local do parque. Tentei unir o lúdico com o acessível por meio do uso dos sentidos. Usei plantas, odores e espinhos para que os cegos pudessem tatear e sentir os locais por onde passavam.
PMG: Você chegou a andar vendada por parques na cidade para conseguir entender melhor oq ue deveria ser feito no seu projeto? Thais: Sim. Eu vendava os olhos e avisava algum segurança do local, caso eu estivesse perto de um local de risco. Então, eu passava algum tempo andanado sem poder ver nada. Era a minha forma de entender o que um cego passava poder elaborar um projeto que atendesse as suas necessidades e respeitasse a sua autonomia.
PMG: E hoje, depois de uma maior divulgação do assunto, arquitetura acessível é uma área rentável? Thais: No inicio não, porque o assunto era realmente desconhecido. Hoje em dia, as coisas estão mudando de figura. O tema está tomando as discussões referentes a arquitetura. As pessoas estão a procura de palestras e consultorias sobre acessibilidade. Acho que perceberam que pessoas com deficiência também fazem parte da sociedade e podem se tornar um público consumidor forte.
|