Raquel Couto Amaral, a esportista PDF Imprimir E-mail
Qua, 04 de Novembro de 2009 19:08

Raquel parada na estrada ao lado de uma bicicleta. Ela sorri vestindo um uniforme de ciclista preto e amarelo, segurando a bandeira do BrasilNascida em 08 de abril de 1983 e surda por conta da Ototoxicose, uma doença que causa surdez devido ao uso de certos antibióticos, Raquel Couto Amaral é formada em design de multimídia. Ela é responável pelo portal da comunidade surda, o sur10.net . Engajada, a Raquel também é voluntária no Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo.

Esportista por natureza, ela pratica natação, futsal, corrida de rua e cicilismo. Recentemente, ela participou do Vamos em Sinais, projeto patrocinado pelo Instituto Mara Gabrilli e criado pelo alemão Sebastian Burger,  que convidou os surdos brasileiros e intérpretes de libras a participarem de um passeio ciclistico pelo Brasil, visitando escolas especiais e regulares com o obejtivo de divulgar a Língua de Sinais para crianças surdas e ouvintes, promovendo também um intercâmbio cultural entre brasileiros e alemães.  Nosso portal conversou com a Raquel para saber  melhor como foi essa aventura.


Portal Mara Gabrilli:  Como foi a participação do Brasil no  Vamos em Sinais 2009?
Raquel Couto Amaral:  A participação brasileira - eu, 3 alemães, um alemão surdo e um ouvinte brasileiro, o Diego - no projeto Vamos em Sinais durou 15 dias em São Paulo-SP.  Visitamos seis escolas especiais. Depois,  foram vinte dias de pedalada sobre as bicicletas duplas e oito dias parados para descanso e visita a  outras  escolas. Nestes vinte dias pedalamos uma média de 60 Km/dia, totalizando 1.200Km

.PMG: Por quais lugares vocês passaram?
Raquel: Visitamos e realizamos workshops em dez escolas especiais e dez escolas regulares ou com inclusão. Visitamos a fábrica da Koller em São Paulo, que patrocina o projeto também, conhecemos o hospital em Belo Horizonte onde trabalham surdos, fomos até uma escola que ministra um curso de LIBRAS para interpretação de músicas religiosas e um curso regular de LIBRAS em uma escola de Paraty, no Rio de Janeiro. No último dia, também  fomos a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS) em Belo Horizonte.

PMG:  E a divulgação nas escolas, como foi a receptividade dos alunos?
Raquel: Nas palestras, divulgamos o uso da Língua Brasileira de Sinais e mostramos que a pessoa com deficiência auditiva pode ter as mesmas oportunidades que os ouvintes, contanto que tenha uma educação apropriada. Os alunos ficaram curiosos em saber sobre o nosso projeto, a comunidade surda e aprendizagem da LIBRAS. Foi realmente emocionante. Nas palestras, divulgamos o uso da Língua Brasileira de Sinais e mostramos que a pessoa com deficiência auditiva pode ter as mesmas oportunidades que os ouvintes, contanto que tenha uma educação apropriada.

PMG: Como foi se comunicar entre ouvintes e pessoas de outra nacionalidade?
Raquel: Foi um pouco difícil. Me comuniquei através da mistura entre mímica e LIBRAS, pois eles não conheciam alguns sinais da LIBRAS. Usei pouco inglês com o alfabeto manual. Não sabia a Língua Alemã dos Sinais, depois aprendi bem, e eles também aprenderam a LIBRAS e o português. A maior dificuldade foi mesmo quando o Sebastian chegou e não falava nem LIBRAS nem a Língua de Sinais Alemã, então alguém sempre tinha que interpretar para os surdos e às vezes ficava confuso ( rs). Mas, valeu a pena, pois fortalecemos a aprendizagem.

PMG: Qual a maior dificuldade que você e a equipe encontrou?
Raquel: A maior dificuldade foi mesmo a comunicação entre os idiomas LIBRAS, inglês, português, alemão, Língua Alemã dos Sinais (DSG) e espanhol. Apesar do curto tempo, conseguimos desenvolver bem a comunicação durante o tempo que passamos juntos.

PMG:  O que mais te surpreendeu nesta jornada?
Raquel: Além das inspiradoras paisagens da região dos lagos, no Rio de Janeiro, o que mais me surpreendeu foi, depois de visitar todas as escolas de surdos da capital São Paulo, ver a precariedade da Educação Inclusiva em várias escolas por onde passamos, principalmente, em escolas onde havia apenas um intérprete de LIBRAS para várias salas de aula onde haviam surdos. Por outro lado, foi mais surpreendente ver o interesse dos alunos de Pedagogia de uma faculdade por onde passamos, que mostraram-se fascinados em desenvolver o conhecimento da LIBRAS

PMG: Tem algum esporte que gostaria de fazer e ainda não fez?
Raquel: Penso em fazer Aquathlon (corrida, natação e corrida). Estou treinando para melhorar bastante. Quero continuar pedalando pelo Brasil e quem sabe um dia pedalo pelo mundo todo.

PMG: Algum projeto futuro?
Raquel: Eu e meu namorado Diego, que também participou do Vamos em Sinais, estamos preparando o novo projeto para o ano de 2010. Nossa ideia é pedalar pelo Brasil durante 15 dias de cada mês escolar (fevereiro a junho e agosto a novembro). Aguardamos a confirmação de um participante surdo ou ouvinte brasileiro com conhecimento profundo da LIBRAS. Os alemães nos incentivaram a continuarmos com o projeto que desenvolvemos e aprendemos com eles. Contamos com apoio de todos vocês!

 
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