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Guilherme Souza, o cabeleireiro cadeirante |
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Qui, 22 de Outubro de 2009 12:48 |
Desde maio do ano passado, Gulherme Souza se deparou com uma nova condição de vida. Por causa de um acidente de parepente, ele parou de andar e teve de adotar cadeira de rodas para se locomover e trabalhar. Aliás, o trabalho foi o que mais mudou na vida dele. Desde que ficou cadeirante, o Guilherme tornou-se um profissioanal com mais viisibilidade. Cabeleireiro há mais de 14 anos, ele continua cortando os cabelos de sua clientes. Só que agora, tanto a cliente quanto ele ficam em uma cadeira! O mais bacana de tudo isso, é que ao invés de desistir da profissão, o Guilheme ganhou visibilidade. Não só por ser um ótimo profissioanal, mas também por quebrar um paradgma: o de que cabeleireiros só trabalham em pé.
Portal Mara Gabrilli: Como é a acessibilidade no salão em que você trabalha? R: Fiz uma rampa na entrada. O espaço não é muito grande, então não dá para fazer muita coisa, mas com algumas mudanças que fiz consigo trabalhar numa boa. PMG: Qual a reação das pessoas que não te conhecem ao irem cortar o cabelo onde você trabalha? Guilherme: 90% das passoas que atendo já são clientes ou são indicadas por uma. Na verdade, o que as pessoas comentam é o fato de eu não ser gay. Outras, se pensam alguma coisa não comentam. PMG: Em uma área que preza a beleza, é difícil ser diferente ( pelo fato de precisar de uma cadeira de rodas para se locomover)? Guilherme: É engraçado você me perguntar isso, porque na verdade o nome do meu salão é Diferent Cabeleireiros hà oito anos (rs). Me sinto e sou a mesma pessoa com os outros. A diferença é que agora estou sentado. PMG: Alguma coisa mudou na sua rotina de trabalho depois de ficar cadeirante? Guilherme: Compactei minhas clientes na parte da tarde, normalmente das 14 às 20 hs, mas se necessário e marcando vou de manhã também. PMG: Beleza e deficiência podem caminhar juntas? Guilherme: Sem problema algum. PMG: Como é cortar o cabelo de uma pessoa quando se está "sentado"? Guilherme: Outro fato curioso, é que eu sempre atendi várias clientes assim, por ficar num ângulo melhor de visão do cabelo. PMG: Vi em fotos que algumas clientes têm que levantar para que você possa cortar o cabelo delas. Como é isso? Guilherme: É estranho, agora respondendo essas perguntas parece que as coisas se juntam e tinham mesmo que acontecer... Mesmo antes do meu acidente eu pedia as clientes de cabelos compridos pra se levantarem porque o encosto da cadeira de cabeleireiro é alto e me atrapalhava a cortar e falava que de pé era mais barato. "Mentira" (rs). PMG: Você se considera um profissional com um diferencial? Guilherme: Acredito que sim, não só pelo fato de estar numa cadeira de rodas, mas também pelo meu visagismo e estilo de trabalho. PMG: Você acredita que as pessoas te veem assim? Guilherme: Bom, acredito que sim, pois é isso que todos falam. Só não sei se me enganam (rs).
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