Jornal da Tarde, 26 de junho de 2009  Formato Acessível para leitores de tela Transporte Poucos táxis para deficientes Apenas 25 taxistas adaptarm seus carros. Em fevereiro, Prefeitura concedeu 80 alvarás Dos 80 alvarás disponíveis desde fevereiro pela Prefeitura de São Paulo a táxi acessíveis para deficientes físicos, apenas 25 resultaram em veículos adaptados em circulação na cidade. O número é considerado insuficiente pelos usuários, que afirmam encontrar resistência de taxistas comuns em transportá-los. Ontem, o tema foi discutido na Câmara. A vereadora Mara Gabrilli (PSDB), que participou das discussões, considera insuficiente a oferta de táxis especiais. “Se levarmos em consideração o número de pessoas com falta de mobilidade, a quantidade de táxis acessíveis é muito pequena.” Estima-se que cerca de 10% de 3 milhões de pessoas com deficiência na capital tenham problemas de mobilidade. Para a parlamentar, é preciso oferecer benefícios para atrair o interesse de taxistas para esse segmento. “Estamos pensando em linha de financiamento especial”, diz. Fábio Boni, da Associação das Frotas de Táxi de São Paulo, afirma que a dificuldade enfrentada pelos taxistas está no investimento. Um carro pronto e adaptado como exige a Prefeitura custa em torno de R$ 95 mil. “E não existe a garantia de retorno”, argumenta. Em sua avaliação, o número atual de veículos adaptados é suficiente para a cidade. Dos que estão em circulação, 16 são de empresas e nove de pessoas físicas. Os passageiros reclamam da demora para conseguir um veículo. Um táxi acessível pode demorar até 35 minutos para ir buscar o deficiente. “Se a gente está na rua, não quer ficar esperando, mas pegar o táxi que está passando. A dificuldade é que os táxis comuns não querem nos levar”, afirma Perseo Perone, portador de deficiência. Ele conta que já pagou a lavagem de um táxi porque sua cadeira de rodas estava suja de terra. Julie Nakayama, de 22 anos, disse que em certa ocasião precisava voltar para casa e só havia um táxi disponível. Segundo ela, o motorista não queria levá-la, mas acabou cedendo.“Ele foi a viagem toda reclamando de mim e da cadeira. Me senti muito humilhada.” Problema maior enfrentam os deficientes visuais que dependem de cães-guias. Eles afirmam que os taxistas não os aceitam, embora uma lei federal obrigue os motoristas a transportá-los. “Tenho um dedo torto porque o taxista bateu a porta três vezes nele porque não queria levar o cachorro”, disse Luiz Alberto de Carvalho e Silva. |