Uma data para enxergar a realidade
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Ter, 13 de Dezembro de 2011 19:40

Dia 13 de Dezembro - Dia Nacional do Cego

Sara Bentes é cantora, escritora e jornalista. Além de cantar, Bentes dá aulas, apresenta um telejornal, atua no teatro e é envolvida com artes plásticas. Um currículo para profissional nenhum botar defeito. E falando assim, você pode não imaginar, mas a Sara realiza todas estas atividades sem praticamente enxergar nada. Pois é, a Sara nasceu com glaucoma e depois de muitas cirurgias, hoje, ela tem baixa visão.

Assim como Sara, outras milhares de pessoas no mundo são deficientes visuais ou cegas. Segundo dados do Censo 2010 do IBGE, no Brasil, dos 45,6 milhões de pessoas com  deficiência, cerca de 35 milhões possuem deficiência visual, seja em grau moderado, severo ou total. Para se ter uma ideia, de todos os tipos de deficiência, a visual tem o maior número de afetados no mundo. A maior parte destas pessoas (90%) estão nos países em desenvolvimento.

Mas, o que impede uma pessoa cega de realizar várias atividades não é a ausência da visão, mas sim, o preconceito da sociedade em não disponibilizar tecnologias assistivas a essas pessoas, ou seja, o ferramental para que uma pessoa com baixa visão ou cega possa usar os equipamentos, freqüentar os espaços e participar ativamente da sua sociedade.


Tecnologias assistivas para o cego e a pessoa com deficiência visual

Chamamos de Tecnologia Assistiva (TI) toda tecnologia ou produto, instrumento ou estratégia, serviço ou prática desenvolvidos para garantir a integração da pessoa com deficiência na sociedade.

Conheça alguns exemplos destas tecnologias assistivas:

DOSVOX - primeiro programa de leitura de tela feito no Brasil, o DOSVOX é um sistema destinado a auxiliar o deficiente visual a fazer uso do computador através de um aparelho sintetizador de voz. O sistema foi desenvolvido no Núcleo de Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e vem sendo aperfeiçoado a cada nova versão por programadores deficientes visuais.

Outras tecnologias assistivas podem ser definidas também no atendimento educacional dos acadêmicos cegos. Dentre estas temos o software leitor de tela, que permite ao usuário navegar por janelas, menus e controles enquanto recebe informações, monitor Braille, navegador Web textual e ampliadores de telas. Conheça outros programas:

Jaws: oferece tecnologia de voz sintetizada em ambiente Windows para acessar softwares, aplicativos e recursos na Internet. Utiliza a placa e as caixas de som do computador para fornecer informações exibidas no monitor possibilitando, também, o envio dessas informações a linhas braille. (http://www.laramara.org.br/jaws.htm)

Virtual Vision: é um sistema que se comunica com o usuário através de síntese de voz.
(http://www.micropower.com.br/dv/vvision/index.asp/)

Virtual Magnifying Glass: é uma lupa virtual que permite a ampliação da tela do computador, conforme a localização do cursor e o movimento do mouse.
(http://magnifier.sourceforge.net/)

Open Book: permite que as pessoas com deficiência visual possam acessar e editar materiais impressos mediante um processo de escaneamento e digitalização. O software com voz sintetizada faz a leitura de todos os textos fornecendo informações ao usuário sobre imagens e legendas, estrutura de colunas, cabeçalhos e outras informações de layout.
(http://www.laramara.org.br/softwares.htm)

Magic: é um ampliador de tela (de 2 a 16x) para ambiente Windows e todos os aplicativos compatíveis. Possui uma série de ferramentas que permitem alterar cores e contraste, rastrear o cursor ou o mouse, localizar o foco dentro do documento, e personalizar a área da tela antes ou depois da ampliação. O software também pode fazer a leitura da tela através de voz sintetizada.
(http://www.laramara.org.br/softwares.htm)

Conect: é um conjunto de aplicativos contendo navegador de Internet, gerenciador de e-mail e um editor de textos.
(http://www.laramara.org.br/softwares.htm)

Braille Falado: os dados entrados em Braille são eletronicamente guardados e permite escrever, revisar e editar, manter um caderno de endereços de acesso instantâneo, armazenar até 800 páginas Braille, enviar textos para impressora. Não é necessária a experiência em computadores, no entanto, é imprescindível o domínio do Sistema Braille.
(http://www.bengalabranca.com.br/PO/Produtos/Informatica/001.htm)

Linha Braille: as linhas Braille são dispositivos utilizados com leitores de telas, que servem para os usuários cegos e com baixa-visão poderem acessar de forma tátil à informação contida no monitor.
(http://www.tiflotecnia.com/produto/lin_ter.htm)

Programa TGD (Tactile Graphics Designer): é um software pedagógico criado para a geração de figuras e/ou gráficos em Braille. Permite a conversão de imagens dos mais variados formatos para o sistema Braille. Permite escanear imagens, convertê-las no TGD em telas em Braille. Através do TGD é possível desenhar e imprimir em Braille os seus desenhos.
(http://www.bengalabranca.com.br/PO/Produtos/Informatica/014.htm)

Software GRAPHIT: programa para produção de gráficos a partir de equações matemáticas. Possui função de calculadora gráfica para produção em Braille. Trabalha com equações nos tipos: Algébrica, trigonométrica, exponencial e logarítima.
(http://www.bengalabranca.com.br/PO/Produtos/Informatica/001_A.htm)

Conheça o projeto de lei de Mara Gabrilli, enquanto vereadora, que obriga a adaptação de máquinas em lan houses para pessoas com deficiência visual. Segundo o PL fica obrigatório no município de São Paulo, a adaptação de máquinas para utilização da pessoa com deficiência visual em lan houses, cyber cafés e estabelecimentos similares que tenham quatro ou mais computadores em rede, mesmo que o estabelecimento não tenha fins comerciais. http://vereadoramaragabrilli.com.br/projetos-de-lei/51-pl-395-de-2007.html)
 

Livros digitais no formato internacional da acessibilidade

O livro no formato Daisy permite a navegação no texto escrito ou falado, por meio de um aplicativo de leitura instalado no computador, além da reprodução de arquivos de áudio em equipamentos específicos. A produção de livros em formato Daisy 3.0 está alinhado ao processo global de acessibilidade para deficientes visuais e pessoas que apresentam algum tipo de limitação na leitura, como idosos, deficientes físicos e disléxicos.

Esta é a principal característica dos livros em Daisy: disponibilizar informações de forma inclusiva, ou seja, para que todas as pessoas possam acessá-las.

A Fundação Dorina Nowill para Cegos disponibiliza gratuitamente livros em formato Daisy 3.0 para as pessoas com deficiência visual em todo o Brasil.

Solicite empréstimo gratuito das obras na Biblioteca Circulante da Fundação Dorina Nowill: (11) 5087-0960 | 5087-0991 ou Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Conheça projeto de lei de Mara Gabrilli, enquanto vereadora, que dá acesso às pessoas com deficiência para a leitura de obras disponíveis nos acervos municipais
(http://vereadoramaragabrilli.com.br/projetos-de-lei/42-pl-254-de-2007.html)

Uma forma simples de inclusão: a audiodescrição

A audiodescrição é um recurso de acessibilidade que permite que as pessoas com deficiência visual possam assistir e entender melhor filmes, peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais, óperas e outros, ouvindo o que pode ser visto. É a arte de transformar aquilo que é visto no que é ouvido, o que abre muitas janelas do mundo para as pessoas com deficiência visual.

Com este recurso é possível conhecer cenários, figurinos, expressões faciais, linguagem corporal, entrada e saída de personagens de cena, bem como outros tipos de ação, utilizados em televisão, cinema, teatro, museus e exposições.

Desta forma, as pessoas com deficiência visual poderão freqüentar sessões de cinema, ir ao teatro e a outros espetáculos, visitar museus, exposições e mostras, atividades que, geralmente, não fazem parte do cotidiano destas pessoas; em primeiro lugar porque são artes que exploram os recursos visuais tanto na cenografia como na caracterização dos personagens e da época. Em segundo, porque a sociedade, em geral, impede o acesso das pessoas com deficiência a determinados espaços, confinando-as a conviver com seus pares em espaços especialmente destinados a elas, como as escolas especiais.

Conheça algumas instituições que trabalham em prol da pessoa com deficiência visual