Guardiões das Calçadas

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No Centro dos buracos

quarta-feira, 24/08/2011

Buraco na sarjeta entre a guia e a via de ponto de ônibus da 23 de MaioAo nos encontrar em um ponto de ônibus, próximo à Avenida 23 de Maio, Dona Iraci fica curiosa ao nos ver fotografando os buracos que já fazem parte da paisagem local, e faz um pedido. “Vocês são jornalistas? Então, mandem concertar este buraco. Ele não é na calçada, mas quando chove molha todo mundo!”. 

A indignação da moradora do Jardim Jacira, obrigada todos os dias a passar por aquele ponto de ônibus para trabalhar no centro de São Paulo, não é à toa. O buraco ao qual ela se refere está na sarjeta entre a guia e a via, causando um acúmulo de água que fica parada por dias. E a cratera para tudo mesmo, inclusive, a circulação dos pedestres.

Para se deparar com este e outros obstáculos, basta descer do ônibus na altura do número 151 da Avenida 23 de Maio, sentido centro de São Paulo - local onde realizamos nossa vistoria desta semana.

Pedestre desviando de buraco na Rua do Ouvidor, altura do número 54Repleto de histórias e problemas, o centro de São Paulo é muito movimentado. Muita gente passa por ele todos os dias. Em muitos dos ônibus que param por ali desembarcam idosos, gestantes e outros trabalhadores, pessoas com e sem deficiência. E apesar das diferenças, todos concordam que a condição das calçadas é precária.

Muitos buracos fazem parte do final do escadão que dá acesso a 23 de Maio, vindo da Rua Riachuelo. Seguindo adiante - não é necessário andar muito - duas árvores reduzem de maneira significativa o tamanho da calçada, tornando praticamente impossível a passagem de uma cadeira de rodas.

Já na esquina da Praça da Bandeira com a Rua Ouvidor, encontramos um pequeno obstáculo construído com concreto que aparenta ter sido feito para conter ou reduzir o fluxo de água da chuva. Essa barreira com cara de improviso atrapalha o acesso à calçada.

Escadão na Rua do Ouvidor, esquina com a Rua São FranciscoSubindo mais um pouquinho a Rua do Ouvidor, bem em frente ao número 54, sentido Largo São Francisco, encontramos mais buracos e diversos degraus. O mesmo ocorre na altura do número 85 e na esquina da Rua Ouvidor com a Rua São Francisco.  Já Imaginou o quão difícil é cadeirar por lugares assim?
Ironia, mas até um escritório de ‘Inclusão Social’ não possui entrada acessível, pelo contrário um degrau enorme, nada convidativo, marca a entrada do lugar.

A gincana para chegar ao Terminal Bandeira

Trecho escorregadio da passarela que permite acesso ao terminal Bandeira

Ao caminhar sentido terminal Bandeira pela Rua do Ouvidor no complexo de passarelas que dão acesso ao terminal (Rua Santo Antonio, Rua Maria Paula e Vale do Anhangabaú) não é necessário andar muito para se deparar com problemas. No início da passarela, um desnível causado por um reparo mal feito, com cerca de dois metros e meio de cumprimento, impede que um cadeirante circule por ali sem ter de pedir ajuda. O mesmo problema (desnível) ocorre a menos de dois 2 metros da entrada que dá acesso ao terminal de ônibus.

Rampa e piso tátil permitem o acesso à entrada do terminal BandeiraO que adianta a entrada e o próprio terminal serem acessíveis, se as pessoas com deficiência não conseguem chegar até lá?

Para dificultar ainda mais o caminho até o Terminal Bandeira, uma parte do complexo de passarelas é feita de um piso metálico, extremamente liso. Uma simples garoinha deixa o lugar escorregadio e qualquer pessoa pode cair, tenha ela ou não uma deficiência. Já imaginou uma mãe com criança de colo, um idoso ou mesmo uma mulher com sapato de salto?!

Por toda a parte deste complexo - construído a princípio para oferecer segurança na travessia do pedestre - o que observamos são inúmeros buracos e desníveis em suas junções. O pior trecho fica no final do complexo, sentido Vale do Anhangabaú, onde as pessoas têm de saltar para desviar!

Buracos e reparos mal feitos na Xavier de ToledoEstima-se que na região do Vale do Anhangabaú ocorra um fluxo diário de entrada e saída de aproximadamente 70 mil pessoas. E quanto mais próximo da entrada do metrô pelo Vale do Anhangabaú, maior é a quantidade de buracos encontrados. Saindo da estação pela Rua Xavier de Toledo, até o Shopping Light, encontramos mais buracos e reparos feitos de maneira irregular.

Ah, e vale lembrar também que a maioria dos estabelecimentos deste trajeto não tem entrada acessível. Alguns comerciantes tentam dar um “jeitinho” para melhorar o acesso. Mas, segundo um vendedor ambulante do local, é difícil o dia em que alguém não tropece. Será que alguém ousa discordar?

Onde estão os maiores problemas

  • Altura do 151 da Avenida 23 de Maio, sentido centro
  • Escadão que permite acesso para a 23 de Maio, vindo da Rua Riachuelo
  • Praça da Bandeira com a Rua do Ouvidor
  • Altura do número 54, sentido Largo São Francisco
  • Número 85, esquina da Ouvidor com a Rua São Francisco
  • Complexo de passarelas do Terminal Bandeira
  • Ruas: Santo Antônio e Maria Paula
  • Rua Xavier de Toledo
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