Nesta quarta-feira (28/9) iniciamos nossa vistoria na Praça João Mendes, sentido Liberdade, para conferir a reforma realizada no ano passado nas calçadas do maior bairro oriental de São Paulo. Hoje tivemos a companhia do Daniel Monteiro, que é cego desde que nasceu e utiliza cão-guia, o Mac.
Decidimos convidar o Daniel Monteiro, cego, e seu cão-guia Mac para mostrar que não falta acesso só para pessoas com deficiência física – a ausência de rampas e os buracos nas calçadas atrapalham qualquer pedestre, inclusive aqueles que têm deficiência visual.
Nem chegamos ao bairro da Liberdade e já nos deparamos com um problema: a falta de planejamento e fiscalização de bancas de jornal, que também atrapalham o deslocamento de um pedestre que vai atravessar a rua. No caso de cadeirantes é praticamente uma gincana atravessar ali. Muitas vezes, é preciso fazer uma curva em plena rua para poder chegar à rampa do outro lado.
No Largo 7 de Setembro, encontramos buracos e desníveis por conta das obras não terminadas da Comgás. Ainda no largo, no número 74, falta piso na calçada.
Chegando à Avenida Liberdade, por falta de planejamento após a reforma, nos deparamos em vários pontos com pisos táteis que não levam cegos e deficientes visuais a lugar algum - a maioria levava a muros e paredes. Outro ponto que o Daniel nos alertou foram calhas que se tornam obstáculos no passeio de um cego. No número 52, o Daniel tropeçou e quase se machucou por conta de uma calha no meio do caminho. Na frente da FMU, mais calhas que saem do portão são um perigo para quem está passando despercebido.
Problemas nos estabelecimentos
Outros exemplos de obstáculos são os vasos decorativos nas ruas, que podem se tornar uma ameaça para o pedestre, especialmente se ele tiver baixa visão ou for cego. Foi o caso da loja Cacau Show, no número 116 da avenida.
Na loja Ikesaki, bem na esquina, além de um display na entrada, encontramos mais uma armadilha de piso tátil, que saía da calçada e levava à parede da loja. 
No número 593, na loja Black Jeans, a intenção foi até boa, mas a ideia não. Rampa de acesso de entrada da loja, porém, no começo da rampa, um degrau impede a entrada de um cadeirante. Metade rampa, metade degrau?
Passando pela HSBC, Sindicato dos Eletricistas, 50, número 66, 96 e 112, buracos, falta de piso no meio da calçada como sempre faz com que o pedestre fique muito atento para não se acidentar.
Cadê a liberdade para ir e vir?
Na Rua Thomaz, além de apresentar uma obra interditando completamente a calçada, nos deparamos com um ato de preconceito que inclusive não deveria acontecer. Ao entrarmos em um restaurante para almoçar fomos convidados a nos retirar, pois a atendente não permitiu que ficássemos com o Mac, cão-guia do Daniel.
Na frente do Jardim Japonês, altura do número 63, falta de piso prejudica a entrada no jardim, um dos grandes pontos turísticos do bairro. Buracos também em todo o trajeto, do número 40 ao 18.
Apesar de terem melhorado consideravelmente as calçadas da Liberdade, os estabelecimentos não seguem o exemplo de acessibilidade. Nenhum estabelecimento apresentava rampas de acesso, sendo que a maioria dos seus clientes são idosos.
A reforma feita foi um divisor de águas, porém, só na avenida principal (Liberdade), o que torna ruas também bastante movimentadas prejudicadas, como a Galvão Bueno e a Thomaz, que apresentam restaurantes bastante conhecidos e freqüentados.
No final da Galvão, por exemplo, localiza-se a Praça da Liberdade, ponto turístico, que lota nos fins de semana com sua feirinha temática, com comidas, e roupas típicas. A praça também obteve melhora, porém, chegar até ela é bastante complicado.
É muito mais vantajoso andar a pé na Liberdade para apreciar a paisagem e ter acesso às muitas lojas do local, mas com este monte de obstáculos não tem calma oriental que suporte.
Onde estão concentrados os piores trechos:
Praça João Mendes
Largo 7 de setembro
Av. Liberdade
São Joaquim
Thomaz Gonzaga
Galvão Bueno
Praça da Liberdade
Barão de Iguape
Largo da Pólvora



